Tumulo de Eunice Paiva atrai visitantes após filme "Ainda Estou Aqui"
Assis Chateaubriand, Nair Bello e Cacilda Becker estão enterrados no mesmo cemitério
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O túmulo de Eunice Paiva, advogada e símbolo da luta pelos direitos humanos durante a ditadura militar brasileira, tem se tornado um local de crescente visitação no Cemitério do Araçá, em São Paulo. A capelinha azul onde repousa a figura emblemática da resistência, com a inscrição "Exemplo para a família e para a democracia brasileira", está recebendo um número cada vez maior de pessoas, especialmente após o sucesso do filme Ainda Estou Aqui.
A história de Eunice Paiva ganhou novos contornos de visibilidade com a interpretação da atriz Fernanda Torres no longa dirigido por Walter Salles. Indicado a diversos prêmios, incluindo o Oscar, o filme é uma adaptação do livro de Marcelo Rubens Paiva, que narra a incansável busca de Eunice por justiça após o desaparecimento de seu marido, o deputado Rubens Paiva, em 1971. O corpo de Rubens Paiva jamais foi encontrado, e a história de Eunice se tornou um marco de resistência.
O crescente número de visitas ao túmulo de Eunice no Cemitério do Araçá reflete o impacto que o filme e a interpretação de Fernanda Torres tiveram no público. A própria atriz fez questão de visitar o local e, em novembro do ano passado, postou uma foto ao lado da lápide, agradecendo publicamente pela honra de ter interpretado essa importante figura. "Há um ano, se encerravam as filmagens de Ainda Estou Aqui e fui sozinha agradecer a essa grande brasileira", escreveu em seu perfil no Instagram.
O Cemitério do Araçá, que abriga não apenas o túmulo de Eunice Paiva, mas também de outras personalidades históricas, como as atrizes Cacilda Becker e Nair Bello, e o empresário Assis Chateaubriand, tem atraído cada vez mais pessoas interessadas em conhecer os locais de descanso dessas figuras, e de refletir sobre a importância de suas vidas para a história do Brasil. Além disso, o cemitério guarda o mausoléu da Polícia Militar e um ossário com restos mortais de vítimas da ditadura, enterrados em uma vala clandestina em Perus.
As visitas ao local têm se tornado também uma forma de conexão com a memória da luta democrática no Brasil, com os visitantes reconhecendo o papel crucial que figuras como Eunice Paiva desempenharam durante um período conturbado da história nacional. Para aqueles interessados em conhecer mais sobre o Cemitério do Araçá, as visitas guiadas são gratuitas, sendo solicitado apenas a doação de um quilo de alimento para um projeto de ajuda a moradores em situação de rua.